 das hastes pontiagudas trajando um gibão de tecido de ouro
e uma capa vermelha de cetim. Sandor Clegane estava
posicionado na base da íngreme escada estreita do trono.
Trazia cota de malha e armadura cinza fuliginosa e o seu elmo
em forma de cabeça de cão rosnando.
Atrás do trono esperavam vinte guardas Lannister com
espadas longas presas aos cintos. Mantos carmesins
envolviam-lhes os ombros e leões de aço encimavam seus
elmos. Mas Mindinho cumprira a promessa; ao longo das
paredes, à frente das tapeçarias de Robert com suas cenas de
caça e batalha, as fileiras de mantos dourados da Patrulha da
Cidade estavam rigidamente em sentido, cada homem com a
mão agarrada à haste de uma lança de dois metros e meio de
comprimento terminada em ferro negro. Eram cinco para
cada homem dos Lannister.
A perna de Ned era um braseiro de dor quando parou.
Manteve a mão sobre o ombro de Mindinho para ajudar a
suportar o peso.
Joffrey se levantou. Sua capa de cetim vermelho tinha um
desenho em fio de ouro; cinquenta leões rugindo de um lado,
cinquenta veados empinados do outro.
- Ordeno ao conselho que faça todos os preparativos
necessários para a minha coroação - proclamou o rapaz. -
Desejo ser coroado esta quinzena. Hoje, receberei juramentos
de fidelidade dos meus leais conselheiros.
Ned apresentou a carta de Robert.
- Lorde Varys, tenha a bondade de mostrar isto à senhora de
Lannister - o eunuco levou a carta a Cersei. A rainha deitou
um relance às palavras.
- Protetor do Território - leu. - Isto pretende ser o seu escudo,
senhor? Um pedaço de papel? - rasgou a carta ao meio, depois
as metades em quartos e deixou os pedaços flutuar até o chão.
- Essas eram as palavras do rei - disse Sor Barristan, chocado.
- Temos agora um novo rei - respondeu Cersei Lannister. -
Lorde Eddard, da última vez que conversamos, deu-me um
conselho. Permita-me que lhe devolva a cortesia. Dobre o
joelho, senhor. Dobre o joelho e jure fidelidade ao meu filho, e
aceitaremos sua demissão do cargo de Mão e seu retorno ao
deserto cinzento a que chama casa.
- Bem gostaria de poder fazê-lo - disse Ned sombriamente. Se
ela estava tão determinada a forçar o assunto aqui e agora,
não lhe deixava escolha. - Seu filho não tem direito ao trono
em que se senta. Lorde Stannis é o verdadeiro herdeiro de
Robert.
- Mentiroso! - Joffrey gritou, com o rosto ficando
vermelho.
- Mãe, o que ele quer dizer? - perguntou a Princesa Myrcella à
rainha num tom lamuriento. - Joff não é o rei agora?
- Condenou-se com sua própria boca, Lorde Stark - disse
Cersei Lannister. - Sor Barristan, prenda este traidor.
O Senhor Comandante da Guarda Real hesitou. Num piscar
de olhos, ficou rodeado de guardas Stark, com aço nu nos
punhos revestidos de malha.
- E agora a traição passa das palavras às ações - disse Cersei. -
Julga que Sor Barristan está só, senhor? - com um agourento
raspar de metal em metal, Cão de Caça desembainhou a
espada. Os cavaleiros da Guarda Real e vinte guardas
Lannister vestidos de carmim moveram-se em sua ajuda.
- Matem-no! - gritou o jovem rei de cima do Trono de
Ferro. - Matem-nos a todos , sou eu quem ordeno!
- Não me deixa escolha - disse Ned a Cersei Lannister, e gritou
para Janos Slynt: - Comandante, prenda a rainha e seus
filhos. Não lhes faça mal, mas escolte-os de volta aos
aposentos reais e mantenha-os lá, guardados.
- Homens da Patrulha! - gritou Janos Slynt, colocando o
elmo. Uma centena de homens de manto dourado apontaram
as lanças e se aproximaram.
- Não desejo derramamento de sangue - disse Ned à rainha. -
Diga a seus homens para abaixar as espadas, e ninguém
precisa de...
Com uma única estocada violenta, o mais próximo dos
homens de manto dourado espetou a lança nas costas de
Tomard. A arma de Gordo Tom caiu de seus dedos sem força
no momento em que a úmida ponta vermelha surgiu dentre
suas costelas, perfurando couro e cota de malha. Estava
morto antes de sua espada atingir o chão.
O grito de Ned chegou tarde demais. O próprio Janos Slynt
abriu a garganta de Varly. Cayn rodopiou, fazendo
relampejar o aço, e obrigou o lanceiro mais próximo a recuar
com uma saraivada de golpes; por um instante, pareceu que
talvez conseguisse abrir caminho até a liberdade. Mas então
Cão de Caça caiu sobre ele. O primeiro golpe de Sandor
Clegane cortou a mão da espada de Cayn pelo pulso; o
segundo fê-lo cair de joelhos e o rasgou do ombro ao esterno.
Enquanto seus homens morriam à sua volta, Mindinho tirou
o punhal de Ned da bainha e o apontou para sua garganta.
Seu sorriso como que pedia perdão.
- Avisei para não confiar em mim.

Arya

- Alto - gritou Syrio Forel, atirando um golpe à sua cabeça.
As espadas de pau fizeram clac quando Arya o parou.
- Esquerda - ele gritou, e sua lâmina aproximou-se
assobiando. A dela precipitou-se para pará-la, O c lac fez
Syrio estalar os dentes.
- Direita - ele disse, e "Baixo" e "Esquerda" e de novo
"Esquerda" mais e mais depressa, avançando. Arya recuou,
parando todos os golpes.
- Estocada - preveniu Syrio, e quando o golpe veio,